A criança já é capaz de definir o que é dinheiro, explicar sua função e os modos de sua obtenção aproximadamente entre os seis e sete anos de idade. Esse foi um dos principais resultados da dissertação “O mundo econômico da criança: uma investigação psicológica sobre o dinheiro”, realizada por Maria Carolina Lopes Granja e orientada pela professora Alina Galvão Spinillo para a obtenção do título de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva da UFPE.

A pesquisa exploratória, que tinha como objetivo analisar a compreensão que a criança tem acerca de diversos aspectos relativos ao dinheiro, aponta ainda que as ideias nesta faixa etária são muito relacionadas às vivências cotidianas, muitas vezes reproduzindo o discurso dos adultos. Já a noção da origem material do dinheiro (fabricação), seu uso e sua circulação apenas surgem a partir dos nove anos de idade.

Para elaborar a pesquisa, Carolina realizou estudos que buscavam entender as ideias infantis em relação ao dinheiro de modo genérico, como sua definição, origem, circulação e uso, e para isso foram entrevistadas 40 crianças divididas em grupos de seis-sete anos e oito-nove anos. O trabalho também abordou, com os mesmo critérios do primeiro e outras 40 crianças, as representações materiais do dinheiro: moedas, cédulas, cheque e cartões de crédito.


Tendo como base os estudos realizados, Carolina afirma que a concepção de dinheiro das crianças se confunde com as representações de moeda e cédula e o pensamento econômico ainda é muito material, de forma que apenas as crianças mais velhas relacionaram o dinheiro com o trabalho ou atividade humana. “Quanto mais velhas, mais as crianças compreendem as trocas econômicas e a necessidade social do dinheiro. A criança vai compreendendo que o uso do dinheiro obedece a uma lógica, a uma troca de valores”, completa a pesquisadora.

A dissertação tem ainda uma abordagem metodológica pioneira, no que se refere à investigação da compreensão infantil do dinheiro a partir de suas representações materiais. É a primeira pesquisa de cunho psicológico a abordar o pensamento econômico infantil no Nordeste brasileiro e uma das poucas no âmbito nacional, o que alerta a necessidade de estudo e investimento na educação econômica de crianças e jovens. “É imprescindível considerar o conhecimento de cada faixa de desenvolvimento cognitivo para montar propostas pedagógicas condizentes com as capacidades e necessidades do educando”, conclui Carolina.

Mais informações
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Cognitiva
http://www.ufpe.br/psicologiacognitiva/