Aparelho batizado de Medidor de Certeza vira atração em feira de cursos e profissões realizada pela PUC-PR, em Curitiba. Especialista em orientação profissional se diz cética sobre novidade
Uma máquina chamada Medidor de Certeza se tornou a grande atração do Planeta PUC, feira de cursos e profissões da PUC-PR, em Curitiba. O aparelho se vale de um polígrafo, instrumento utilizado em interrogatórios por agências americanas como o FBI e a CIA, para detectar a veracidade das informações em um depoimento.
- A máquina avalia a precisão das respostas dos estudantes. O objetivo não é dar um veredito sobre a escolha, mas, sim, mostrar aos estudantes a importância da decisão. É bom frisar também que não se trata de um teste vocacional - explica Stephan Younes, o diretor de marketing do Grupo Marista, responsável pela engenhoca.
O Medidor de Certeza analisa precisão e timbre da voz do estudante, além de registros de mudanças no batimento cardíaco. Para fazer o teste, o aluno entra na cabine e se conecta à máquina via Facebook. Depois de ter sua pressão medida, ele responde a perguntas como nome, idade etc., com o objetivo de calibrar o tom da sua voz, e uma pergunta sobre qual o curso escolhido.
Em seguida, o Medidor faz quatro novas perguntas, para que o estudante explique como chegou àquela decisão e o que espera da profissão escolhida. A ferramenta identifica, então, alterações e suas possíveis causas (mentira, excitação, exagero ou conflito cognitivo). O estudante leva para casa um relatório com o resultado.
Na feira, os estudantes submetidos à máquina são orientados a conversar com os psicólogos, para um papo sobre dúvidas em relação à carreira, além de professores e alunos da PUC-PR presentes nos mais de 60 estandes do Planeta PUC.
Mas a professora Mariene Campos, especialista em orientação profissionald a Uerj, desconfia do Medidor de Certeza.
- Nunca soube de algo assim utilizado em testes vocacionais. Não sei até que ponto o aparelho foi testado nesse contexto, mas acho que a variação do tom de voz do aluno vai depender muito do momento. Não confio 100% nesse procedimento. Tem todo um trabalho no teste vocacional que analisa as opções e escolhas do estudante, o contexto familiar etc.
(O Globo)

