O tratamento do câncer infanto-juvenil pode ser mais eficaz quando há um cuidado correto utilizando-se a tecnologia de Educação em Saúde, que abrange temas como alimentação e higiene, tanto do paciente como de seu responsável. Essa foi a conclusão que a enfermeira Nailze Figueiredo de Souza constatou na sua tese de doutorado “Câncer infanto-juvenil e ações educativas: significados atribuídos por cuidadores, profissionais e estudantes”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e Adolescente da UFPE.

As análises foram feitas com base na sociologia fenomenológica de Alfred Schutz e o resultado mostrou que o cuidado das mães com as crianças, o atendimento psicológico, de enfermagem, de nutrição e de arte-educação são de fundamental importância para o tratamento. Na Associação Donos do Amanhã, instituição de apoio a crianças e adolescentes com câncer, localizada na cidade de João Pessoa (PB), a pesquisadora verificou a necessidade de maior suporte aos familiares cuidadores com informações e orientações sobre a doença e o tratamento. Dessa forma, desenvolveu um estudo no qual foram realizadas ações educativas em saúde por uma equipe multidisciplinar com posterior entrevista a mães, profissionais e estudantes envolvidos, solicitando que falassem sobre suas experiências como participantes da ação.


O projeto educativo está vinculado à Escola Técnica de Saúde e ao Programa de Bolsas de Extensão (Probex) da Universidade Federal da Paraíba, em que a pesquisadora trabalha como docente. O estudo foi premiado no 1º Congresso Multidisciplinar de Oncologia do Instituto do Câncer Mãe de Deus, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O evento ocorreu em junho de 2013 e contemplou todas as principais áreas de tratamento e suporte para o paciente oncológico.

A ação educativa em saúde desenvolvida por Nailze Souza foi dirigida a 10 mães de crianças com leucemia, com participação de duas enfermeiras, uma psicóloga, uma arte educadora e duas estudantes do curso de graduação em Nutrição da UFPB. Nas ações coletivas sobre educação em saúde, questões como leucemia, tratamentos e higiene corporal foram temas abordados. O trabalho era realizado com panfletos, cartilhas, fantoches, livros, materiais de arte e oficinas de trabalhos manuais, como tricô, crochê, tear de prego, patchwork e pintura em tecido.

A pesquisadora tem o câncer infanto-juvenil como objeto de estudo desde o mestrado. Como professora de enfermagem, Nailze acompanhava os alunos no hospital de referência em câncer de João Pessoa. No mestrado, o trabalho foi desenvolvido com as mães de crianças com câncer objetivando compreender a situação em que as mães dos pacientes viviam, e no doutorado ela construiu uma tese de abordagem qualitativa, mostrando a importância das ações educativas. “Nós compreendemos todo o sofrimento que os cuidadores passam desde o diagnóstico ao tratamento e resolvemos fazer uma ação de intervenção que os auxiliasse nessa situação”, destaca.

Segundo Nailze, algumas crianças ingeriam pães e refrigerantes em quantidades acima da média, contudo, esse hábito mudou graças à ação educativa desenvolvida. “A criança que está fazendo quimioterapia tem a imunidade baixa e precisa de uma alimentação correta. Algumas mães falavam que não sabiam o que era leucemia, mas passaram a tirar várias dúvidas com nosso projeto”, ressalta.

Para a pesquisadora, é imprescindível que haja maior efetividade na iniciativa de Educação em Saúde. A falta dos cuidados citados como higiene e alimentação adequadas, pode ocasionar risco de infecção fatal à criança. Ela ainda destaca que as mães também precisam se autocuidar para não desenvolver doenças como hipertensão e ansiedade. “Esse tema é muito importante, mas ainda não recebe o devido valor”, afirma.

(UFPE)